mute-dão

14/02/2010

Sábado de carnaval, sozinho em casa e sem muita coisa pra fazer. Melhor dizendo, sem muita coisa que quero ou gostaria de fazer.

Meu dia de hoje poderia ter diversos títulos, inclusive vários ditados populares…

1) Bom dia, nuvem do dia.
Que gay, eu sei. Amanheceu assim: fresquinho. O famoso meio-termo. Nem muito ao céu, nem muito ao inferno; nem 8, nem 80. E chega. Já deu pra entender.
Fiquei morgando na cama, contando as elevações de tinta no teto do meu quarto, o que requer muita atenção e uma visão minimamente razoável – o que eu, na minha dificuldade de ver a distância, não possuo mais; é a idade.

2) Antes só do que mal acompanhado.
Sei que muita gente não gosta de fazer nada sozinho, eu também não. Mas em certas ocasiões, pessoas são extremamente cansativas. Fazia tempo que estar perto de terceiros não me dava alergia.

3) Os últimos serão os primeiros em: Um viva ao falso moralismo.
Pergunto-me, sempre que essa frase vem a minha cabeça, se o inverso também seria válido, ou seja, se os primeiros serão os últimos. Pela lógica… Enfim.
O ditado (parábola, provérbio, ou seja lá o que for isso…) é apenas para ilustrar como furar a fila do cinema a partir do convite de funcionários pode despertar o “ódio mortal” de todos que estão esperando para comprar ingresso há 5, 10, 15 ou 20 minutos (meu caso). Obs.: meu caso só no tocante a espera, a “furada especial” não me abalou emocionalmente, continuando…
Estava eu lá, na minha pose blasé, ignorando o resto dos mortais a minha volta – mais próximos do que eu gostaria – quando não mais que de repente uma moça bonitinha (não se aplica aqui à idéia de que bonitinho é um feio arrumado pois a moça estava de farda e tá pra nascer farda bonita) chama o senhor que estava na minha frente para ser atendido.
Posição do indivíduo na fila: 20 atrás do primeiro, mais de 50 a frente do último.
Enquanto tentava abstrair a inutilidade da ação e reações adversas, foi inevitável o pensamento – claro, eu tenho que refletir até sobre o ridículo do cotidiano: Tanta confusão porque uma pessoa passou na frente. Ok. Não é legal, fato. Mas xingar? Gastar 5 minutos falando mal? Que desperdício de energia. Quanto falso moralismo. Todo “cristão” já deu uma furadinha, já jogou lixinho na rua, já esqueceu de dar descarga e outras gafes relativas à ética do convívio social ou simplesmente a boa e velha educação. Moral da história? Bem… Paciência nunca é demais. Quem se estressa tem trabalho em dobro. Pessoas fazem em um copo d’água uma tempestade, e da tempestade apenas uma ameaça de garoa numa manhã de domingo. A dúvida se o primeiro foi ou será o último continua sem resposta, não cacei o moço para saber sua posição after consumo do ticket.

4) Mas vale um pássaro na mão do que dois voando.
Isso é referente ao filme que assisti. Percy no cinema é quase tão ruim quanto Crepúsculo. Eu estava tão satisfeita só com o divertido livro do Rick. Mas lá fui eu me arrepender.

5) …
Enquanto escrevo, penso em um ditado que se encaixe. Mas acho que não vou achar.
Depois de apreciar a cidade vazia e concentrada – as pessoas não estão espalhadas, parecem um “foco” -, cheguei em casa e a maledita sensação que foi um dos fatores impulsionadores desse blog estava aqui novamente. Um vazio, uma falta de sentido, uma inércia. Sei que, em parte, é insatisfação comigo mesmo, porém não consigo identificar de onde esta desgramada tão pesada está vindo.
Desejo de massagem nas costas.
Vontade de sorvete de flocos ou tapioca – inédito.
Quero um sapato com asas.

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